E assim começa

Há quem opte pelo Ano Novo para tomar resoluções, ou o primeiro dia de Janeiro para dar início a algo. Eu optei por fazê-lo anteontem, no dia dos meus anos: após um ano a preparar e estruturar, comecei por fim a escrever A Oitava Era, o primeiro volume do segundo ciclo das Crónicas de Allaryia. Ou o oitavo volume das Crónicas, conforme preferirem.

Não foi tão épico como talvez fosse de esperar. Não se ouviram os ecos de um coro gregoriano pela minha casa, nem um crescendo de violinos até eu premir o ponto final da primeira frase, à volta da qual andei uma boa meia hora. Mas está feito, e foi bom. É bom estar de volta. Allaryia é, sempre foi, e provavelmente sempre será o meu mundo, independentemente do que eu ainda venha a criar, e já tinha saudades.

Escusado será dizer que, assim, a minha “previsão sem promessa” de um livro pronto a ser publicado em 2019 se começa a afigurar algo quimérica, mas veremos como corre. O importante é escrever algo que faça com que a longa espera tenha valido a pena, e esse é um desafio que de bom grado aceito.

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A Oitava Era – Slayra

“Antes de vos conhecer, ainda podia morrer entre os meus. Agora, só convosco, mesmo…”

As cidades-estado de Nolwyn conspiram entre e contra si após a queda de Ul-Thoryn e o vácuo no trono de Lennhau. Laone e a Namuriqua encontram-se em guerra aberta há anos. As incursões das tribos ocarr fustigam a Latvonia e as fronteiras de Thýr. Nos portos da Benelgia, ouvem-se rumores de uma invasão da distante e enigmática Tayğatar. E é uma questão de tempo até Tanarch se sublevar contra os ocupantes wolhynos e sirulianos. Os reinos humanos estão em guerra, seja ela declarada ou não, mas será provavelmente nos corredores palacianos, e não nos campos de batalha, que esta se decidirá. Pelo menos assim espero, pois a alternativa – a de uma conflagração bélica não mais vista desde a Era Negra – é demasiado terrível de se contemplar…

– Perűrne, Rei de Sathmara, no Concílio de Astina

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A Oitava Era – Nishekan

“Agora sei o que o meu senhor queria. Pela minha mão, será feita a Sua vontade…”

Venham, sombras obscuras, trevas da noite, o terror da razão. Venha o jugo, o bragal, o ferro que trespassa o coração; essência do próprio medo, crueldade sem redenção.

– Ladainha ouvida nos cantos mais obscuros de Allaryia

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A Oitava Era – Worick

“Se me arrependo do dia em que nos cruzámos contigo e o mago? O que é que achas…?

Temam, porque o chão sob os vossos pés não mais é seguro. Tremam, porque os alicerces das vossas cidades que sobre nós pesam irão ruir. Chorem, porque o pesar oprimido da Noite Ínfera não mais se ocultará. A riqueza que extraíram das entranhas da terra será o vosso bragal. A fertilidade do solo que vos alimenta, a vossa maleita. Escorraçaram-nos para as cavernas eras atrás, mas tornámo-nos fortes como a pedra e não tememos as trevas que vos aterrorizam. E o vosso terror irá agora verdadeiramente começar.

Nota encontrada na boca da cabeça decapitada de Haġe Gryspod, vate de Taimyria

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A Oitava Era – Kyrina

“Sinto-a germinar. Não como algo que vá desabrochar, mas crescer como vinhas e sufocar-me.”

O impensável aconteceu. A sensibilidade e capacidade de manipular Essência, essa eterna dádiva dos Primogénitos que sempre se furtou a eahan, thuragar e quejandos, não mais é única aos humanos. São já demasiados os relatos em Nolwyn e regiões adjacentes – por pouco fidedignos que alguns soem – para que se continue a negar que a pura Essência que a Brecha ressumbra não teve qualquer efeito nos demais habitantes de Allaryia. Pois foi certamente isso o que aconteceu, e há que aceitar o quanto antes que o equilíbrio do poder pode estar comprometido…

Manifesto encontrado em Promontório de Durlan
Desconhecido

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